

Um cavalheiro que veio de Foggia (na
Itália), tinha 62 anos em 1919; ele caminhou o tempo todo se
sustentando sobre duas bengalas.. Na realidade ele tinha
caído de um broking de carruagem e quebrado as pernas. Os
doutores não tinham conseguido ajudá-lo com
sucesso. Depois de se confessar com o Pe. Pio, o frade lhe falou: "Se
levante e vá embora! Você tem que jogar fora essas
bengalas.. Aquele homem obedeceu a ordem e começou a
caminhar novamente por si mesmo. Todos os que testemunharam o fato
ficaram surpresos.
'Uma outra cura, atribuída ao Pe. Pio
considerada como um prodígio definitivo, diz respeito a um
ex-ferroviário toscano, que morreu em 1983 aos 70 anos de
idade. Ele repetia: "Eu sou um desafio vivo às leis da
física! " Em 1945 ele vivia na província de
Siena. Era casado e tinha um filho ainda pequeno e trabalhava como
vigilante do sistema elétrico de uma linha
ferroviária. Na manhã do dia 21 de maio enquanto
ele se deslocava para o trabalho na sua moto ela colidiu-se
violentamente contra um caminhão. Chegou ao hospital em
estado gravíssimo. Ele tinha sofrido fratura no
crânio e no arco superior do supercílio esquerdo,
ruptura do tímpano do ouvido esquerdo, algumas costelas
quebradas e cinco fraturas na perna esquerda. Permaneceu entre a vida e
a morte por diversos dias e depois foi considerado fora de perigo. A
recuperação foi longa mas satisfatória
exceto a perna que, por ter sido muito prejudicada, os
médicos não conseguiram recuperá-la.
Ele transitava de um hospital para outro."Fui internado na
Clínica ortopédica de Siena onde permaneci em
tratamento por um ano e meio. Depois fui para o hospital Rizzoli de
Bolonha. Depois das primeiras intervenções, as
fraturas no fêmur foram parcialmente sanadas, mas por causa
de uma série de complicações minha
perna estava completamente rígida. Os médicos
falavam de uma “ancilose fibrosa do joelho
esquerdo” que eles não conseguiam tratar.
Além disso, as feridas causadas pelas contínuas
cirurgias não cicatrizavam. Uma vez que todas as tentativas
para dobrar a perna tinham sido inúteis os
médicos da Clínica ortopédica de Siena
decidiram tentar a “flexão forçada do
joelho através do aparelho de Zuppinger com anestesia
geral”. Mas as aderências musculares e os
ligamentos que bloqueavam as articulações eram
tão resistentes que mesmo este procedimento se revelou
inútil.
E quando os médicos insistiram com maior força, o
fêmur se partiu e eu tive de permanecer mais dois meses com a
perna engessada. No início do ano de 1948 recebi alta da
Clínica Ortopédica de Siena e fui declarado
incurável. Eu estava condenado a conviver com a minha perna
rígida para toda minha vida. Tinha trinta e cinco anos e eu
não estava disposto a me resignar com aquela
situação. Por isso decidi tentar ainda junto a
outros especialistas mas as esperanças de ser bem sucedido
eram mínimas e eu não quis correr o risco de uma
nova cirurgia. Eu estava sem ânimo e tão mal que
parecia uma fera ferida. Eu não podia ficar de
pé. Não queria ver ninguém.
Não queria viver mais e desabafava toda minha dor contra
minha esposa que tentava sempre me encorajar. Eu usava muletas para me
mover, mas só conseguia me movimentar por poucos metros
porque minha perna, além de rígida, estava com
feridas em carne viva que eram muito dolorosas. Freqüentemente
quando tentava me movimentar sozinho eu acabava caindo e berrava com
toda minha raiva blasfemando contra Deus e contra todos. Minha esposa
tinha fé mas eu não.
Ela ia à igreja e eu a reprovava. Certa feita, apareceu um
religioso na nossa paróquia para fazer uma
conferência. Ao saber do meu problema ele quis confortar
minha mulher e recomendou-lhe: “Porque não leva
seu marido ao Pe. Pio, um capuchinho que faz milagres em San Giovanni
Rotondo? Minha esposa me transmitiu estas palavras com tanta
esperança mas eu retribuí com uma
irônica gargalhada, pronunciando blasfêmias e
impropérios também contra o Pe. Pio. Minha
esposa, no entanto, não queria deixar perder aquela
oportunidade e escreveu muitas vezes ao religioso, mas não
recebeu resposta alguma. Então voltou a insistir comigo para
que eu satisfizesse o seu desejo. Minha situação
piorava cada vez mais. E percebi que minha vida tinha chegado ao fim e
de tão desesperado rendi-me à vontade de minha
mulher.
“Tudo bem”- disse-lhe – “vamos
tentar também isto”. A viagem foi
terrível. Viajei de trem deitado sobre uma padiola, mas
quando era necessário descer do compartimento e nele subir
as dores eram atrozes. Primeira etapa foi Roma, depois Foggia. Para
chegar até San Giovanni Rotondo era necessário
tomar um ônibus que partia de Foggia num único
horário matinal bem cedinho. Decidimos dormir numa
pensão. Enquanto me arrastava com as minhas bengalas
resvalei-me e caí de mau jeito numa poça
d’água. Fui socorrido pelos
funcionários da via férrea que, ao saberem que
tinha sido colega deles, colocaram à minha
disposição um quarto nas dependências
da estação ferroviária onde pernoitei.
Na manhã seguinte, bem cedo, eu, meu filho e minha esposa
tomamos o ônibus para San Giovanni Rotondo.
A parada do ônibus distava dois quilômetros da
igrejinha dos capuchinhos. As vias de acesso não eram
pavimentadas. Não sei como consegui chegar até
à capela. Logo que nela entrei joguei-me, semi-desfalecido,
sobre um banco. Nunca tinha visto uma foto do Pe. Pio e, portanto,
não saberia reconhecê-lo. Na igreja havia
vários capuchinhos. Perto de mim havia um que atendia as
confissões das senhoras. A cortina do
confessionário estava aberta. O frade mantinha os olhos
baixos e as mãos escondidas sob o hábito. Quando
ele levantou a mão direita para dar a
absolvição notei que ele usava luvas.
“É ele!”- disse a mim mesmo.
Naquele instante Pe. Pio levantou os olhos e me fixou por alguns
segundos. Sob aquele olhar meu corpo começou a tremer como
se eu fosse golpeado por uma violenta descarga elétrica.
Depois de alguns minutos o padre saiu do confessionário e
foi embora. Às quatro da tarde estávamos de novo
na igreja. Meu filho me acompanhou até à
sacristia. Pe. Pio já estava atendendo
confissões. Havia algumas pessoas na minha frente.
Após uns quinze minutos chegou a minha vez. Com o
auxílio das minhas muletas aproximei-me do religioso. Tentei
dizer alguma coisa mas ele não me deu tempo.
Começou a falar desenhando um quadro perfeito da minha vida,
do meu caráter e do meu comportamento. Eu estava
completamente envolvido pelas suas palavras e não pensava
mais na minha perna. Quando ele levantou a mão para
absolver-me, experimentei novamente a terrível
sensação que havia experimentado de
manhã. Sem perceber, ajoelhei-me e fiz o sinal da cruz. Em
seguida, sempre sem pensar na perna, levantei-me, tomei minhas bengalas
e me afastei andando normalmente. Tudo eu o fiz completamente normal.
Minha esposa, que estava na igreja, me viu chegar carregando as
muletas, mas nem ela percebeu qualquer coisa.
Ela só disse-me: “Você está
com um rosto tão sereno!” Paramos para rezar um
pouco e depois nos dispusemos a sair. Só nesta hora minha
esposa percebeu o que tinha acontecido. “José,
você está andando!” exclamou ela. Parei
e observei com grande estupor as bengalas na minha mão.
“É verdade, eu estou caminhando e não
sinto nenhuma dor!” Respondi. “Papai”,
acrescentou meu filho, “quando você estava com o
Pe. Pio, você também se ajoelhou.” Eu
podia portanto realizar todos os movimentos com toda a naturalidade e
sem sentir dor alguma. Suspendi a calça e examinei minha
perna: todas as feridas que sangravam e doíam, fazia pouco
tempo, haviam desaparecido. Só as cicatrizes eram vistas
completamente enxutas. “Estou realmente curado.”
Gritei para minha esposa e rompi em lágrimas. O retorno para
casa foi uma marcha triunfal.
Onde quer que parasse, contava a todos o sucedido. Retornei
à clínica ortopédica de Siena. Os
médicos ficaram estarrecidos. Primeiro, por verem que eu
caminhava. E depois, porque as radiografias da minha perna
não tinham mudado em nada. A ancilose fibrosa do joelho
esquerdo estava lá presente e, em princípio, eu
não podia absolutamente estar caminhando. O meu caso foi
até apresentado em um congresso em Roma. Ilustres
especialistas, até mesmo do exterior, visitaram-me e todos
ficaram admirados”.